Publicado em 29 julho 2019 | Atualizado em 19 julho 2021

O gerenciamento de medicamentos de qualidade envolve diversos detalhes que vão da organização à dispensação dos produtos. É importante que todas as etapas sejam feitas com atenção máxima, já que os mais pequenos erros podem ter grandes consequências. 

Um dos problemas ocasionados pelo gerenciamento de medicamentos mal feito é o impacto na economia da instituição de saúde. Porém, é preciso se lembrar de uma questão muito mais importante: o descuido leva a desperdício e alterações na qualidade dos medicamentos. Esses, por sua vez, impactam na vida dos pacientes. 

Gerenciamento de medicamentos e o desperdício 

O desperdício de medicamentos no setor de saúde é uma realidade. Há quase uma década, lá em 2010, um dado assustador já deixava clara a importância de encontrar formas de otimizar o gerenciamento de medicamentos.

Segundo o Conselho Federal de Farmácia, 20% dos remédios comprados no setor público e privado estavam sendo desperdiçados anualmente. Na época, isso significava um gasto de cerca de R$ 1 bilhão. 

Anos se passaram e o problema seguiu. Um relatório da Controladoria-Geral da União mostrou que entre 2014 e 2015, o Sistema Único de Saúde jogou fora cerca de R$ 16 milhões em remédios de alto custo, sendo as principais causas os prazos de validade e a armazenagem incorreta.  

Nesta reportagem de 2017, o jornal BBC chamou atenção para o fato de que, com esse valor, um paciente com doença de Crohn – cujo tratamento pode custar até R$ 25,5 mil a cada 60 dias – poderia pagar o próprio tratamento por 104 anos.  

Enquanto o desperdício continua, a falta de suprimentos ainda é uma preocupação. Em maio de 2019, dos 134 medicamentos que o Ministério da Saúde compra e distribui, 25 estavam em falta e 18 com estoques muito baixos. 

Segundo o Conselho Nacional de Secretários da Saúde, dois milhões de pessoas dependem desses medicamentos, que servem para tratamentos de doenças sérias como leucemia.  

Prazo de validade 

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determina que todos os fabricantes de medicamentos devem colocar o lote e as datas de fabricação e vencimento na embalagem dos produtos. Prazo de validade é mesmo coisa séria. 

Essa data é estabelecida de forma a garantir que o medicamento vai manter suas características, como eficácia e segurança, até o prazo definido. De acordo com especialistas, alguns remédios comuns, como analgésicos, se forem consumidos com data de validade vencida, perdem a eficácia. 

Já outros tipos de medicamento, como os de uso contínuo e antibióticos, podem colocar em risco a saúde do paciente. A recomendação, nesses casos, é que esses produtos sejam descartados. 

Enquanto isso, foi divulgado em junho de 2019 que o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo realizou uma fiscalização em 300 hospitais e em pelo menos 34 estabelecimentos foram encontrados remédios vencidos. O desperdício continua. 

Armazenagem e monitoramento 

Muitos dos medicamentos de alto custo são termolábeis, ou seja, sofrem alterações em sua eficácia ou até em sua composição quando passam por variações de temperatura e umidade, por exemplo. 

Quando esse monitoramento é feito de forma manual, as checagens por parte do farmacêutico responsável por essa atividade é feita em um intervalo de cerca de oito horas. Ou seja, tudo o que acontece com os medicamentos entre uma checagem e outra não fica registrado. 

Imagine se, por exemplo, um medicamento sofre uma alteração de temperatura por algum tempo, mas ela não é verificada. Na hora da nova checagem, os números podem estar de volta ao normal e a situação passará despercebida pelo farmacêutico. 

Então, esse produto com certeza vai chegar ao paciente. As consequências, nesse caso, são parecidas com as dos medicamentos fora do prazo de validade: ineficácia ou efeitos na saúde da pessoa. 

Administração de medicamentos 

Em 2017, 55 mil mortes ocorreram por falha humana, estrutural ou processual nos hospitais brasileiros. São vários os fatores que causaram essas mortes, como infecções e hemorragias. Porém, uma das causas pode ser prevenida com mais facilidade: erros no uso de medicamentos. 

Segundo pesquisa divulgada pela consultoria McKinsey em 2012, as falhas de medicação podem afetar até 20% dos pacientes nos países desenvolvidos. As principais causas de erros acontecem na prescrição, administração, preparo e transcrição da receita. 

Questão ética

A relação do bom gerenciamento de medicamentos e a vida dos pacientes é, além de tudo, uma questão ética. Profissionais de medicina e farmácia se comprometem a zelar pela segurança de todos que atendem. É claro, então, que devem se preocupar com a qualidade dos produtos que chegam às pessoas. 

Poupe vidas: garanta um bom gerenciamento de medicamentos 


Pensando nas consequências do gerenciamento inadequado de remédios e outros produtos, é preciso tomar providências. Um bom primeiro passo é avaliar como estão os processos da instituição de saúde. Onde estão os maiores erros? Que providências podem ser tomadas para garantir que a população receba produtos de qualidade? 

A tecnologia pode ter um papel importante nessa tarefa. A principal ideia é que, com apoio dela, sejam reduzidos os erros humanos. Voltando à administração de medicamentos, a consultoria McKinsey divulgou também que o controle digital pode evitar no mundo, anualmente, cerca de 43 mil mortes por erro de medicação. 

A própria Anvisa tem apostado em tecnologia pensando em otimizar processos. Em 2016, por meio da RDC n° 62, regulamentou o uso do NDS (National Drug Control System) para o gerenciamento de medicamentos controlados. São quatro aplicativos que integram a solução: ExtWeb, NDS, SPA e NDS.

Além de sistemas de uso obrigatório, instituições de saúde podem buscar otimizar outros pontos graças a soluções criadas por empresas privadas para os mais diferentes processos. Reunimos alguns exemplos: 

Integração de informações 

É possível buscar por plataformas que integram informações sobre os serviços de diferentes unidades. Também é possível acompanhar o histórico de pacientes, o que permite mais assertividade nas recomendações médicas, diagnósticos mais precisos e tratamentos mais eficazes. 

Gestão de estoque 

É comum que lojas pequenas do varejo da saúde, por exemplo, ainda utilizem apenas de planilhas para o controle total de medicamentos. Porém, o resultado disso pode ser prejuízo financeiro e desperdício de medicamentos. 

Também é possível buscar softwares que auxiliam no controle de estoque. A entrada e saída de medicamentos fica registrada e é possível ter mais visibilidade sobre remédios que estão em falta ou com prazos de validade próximos. 

Rastreabilidade  

Hoje, existem também soluções que permitem que os produtos se tornem rastreáveis. Esse tipo de sistema pode ser bastante útil para que órgãos do setor tenham controle sobre toda a cadeia por onde os medicamentos passam. 

A partir daí, fica mais fácil entender em que ponto estão ocorrendo possíveis erros que fazem com que os remédios precisem ser jogados fora, por exemplo. 

Monitoramento 

Outras empresas, pensando nas condições de armazenamento, optaram por criar soluções que auxiliam em monitoramento. A Nexxto, por exemplo, desenvolveu um sistema de monitoramento de temperatura e umidade, que emite alertas em casos de variações e deixa tudo registrado em um dashboard.  

Com soluções como a Nexxto, fica mais simples cuidar de detalhes que às vezes passam despercebidos pelo monitoramento feito de forma exclusivamente humana. 

A partir de um alerta em tempo real, é possível que os responsáveis tomem providências imediatas sobre as alterações de temperatura e umidade, o que melhora o gerenciamento de medicamentos e reduz efetivamente as chances de um remédio ineficaz chegar ao paciente, ou ter que ser jogado fora. 

Em resumo, soluções tecnológicas são úteis para tornar o gerenciamento de medicamentos mais assertivo e, assim, garantir qualidade de vida às pessoas que passarem por sua instituição de saúde. 

gerenciamento de medicamentos

h

Lucas Almeida

Cofundador e CRO da Nexxto

Trabalho todos os dias para ajudar o setor de saúde a ser mais digital e eficiente, possibilitando que mais pessoas no Brasil tenham acesso a serviços com qualidade e segurança.