23 julho 2019

Todo remédio necessita de cuidados para que sejam garantidas a eficácia e qualidade durante sua fabricação,  transporte, recebimento, armazenamento e dispensação. Porém, alguns tipos de medicamentos necessitam de atenção especial, entre eles os chamados medicamentos termolábeis são bastante sensíveis.  

A principal característica dos medicamentos termolábeis é que todos apresentam uma sensibilidade térmica bastante relevante, sofrendo alterações e até decomposição por conta das variações de temperatura. Por isso, eles precisam ser armazenados em condições de ambiente e, muitas vezes, em equipamentos específicos, de acordo com as recomendações dos fabricantes.  

Existem os medicamentos que precisam ser refrigerados, ficando entre 2ºC e 8ºC, enquanto outros devem ser congelados, ficando em equipamentos com temperaturas entre -20ºC e -10ºC. Não importa qual seja o caso, o local em que ocorrer o manuseio das embalagens deve ter, constantemente, temperatura ao redor de 20ºC. É possível obter mais informações nas recomendações do Ministério de Saúde.

Medicamentos termolábeis: retiradas programadas  

No dia a dia, quando é necessária a manipulação dos medicamentos, os equipamentos podem sofrer alterações de temperatura durante a troca de calor com o ambiente. 

A tendência é que a temperatura ambiente esteja maior que a do equipamento. Em locais em que a média de temperatura é mais elevada, esse risco se torna ainda maior. 

Pensando nisso, é preciso ter muito cuidado nos momentos de recebimento e retirada de novos produtos. O ideal é que essas atividades sejam planejadas com antecedência, diminuindo assim as variações. Não por acaso, a equipe farmacêutica que lida com os medicamentos termolábeis deve passar por treinamentos mais específicos.  

Transporte  

O transporte dos medicamentos termolábeis também exige cuidados. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) apresenta uma série de recomendações para as empresas que fazem esse tipo de atividade. Elas devem ter veículos adequados para manter a qualidade dos medicamentos, por exemplo.  

Os profissionais envolvidos no transporte também devem ter conhecimento sobre a melhor forma de realizar o procedimento, se preocupando com detalhes como não deixar o veículo estacionado ao sol e, ao descarregar os medicamentos, dar prioridade aos termolábeis.  

A importância do conhecimento das normas também fica clara a partir do momento que, segundo as determinações do Ministério da Saúde, a empresa é responsável por qualquer problema que ocorra com os produtos. Além disso, deve notificar à autoridade sanitária caso suspeite de alteração, adulteração, fraude ou falsificação, etc.. 

Todas as informações sobre o transporte adequado de medicamentos, de acordo com as recomendações do Ministério da Saúde, podem ser acessados no documento da Secretaria de Vigilância Sanitária. 

Monitoramento de temperatura e umidade 

Para garantir que os medicamentos termolábeis mantenham-se seguros, o monitoramento de temperatura e umidade durante todos os momentos é essencial.  

O caminho percorrido pelos termolábeis desde a origem até chegar ao consumidor final, a cadeia fria, deve ter profissionais preocupados em garantir que variações não ocorram em todas as etapas. 

Nesse contexto, deve haver a rastreabilidade durante toda a cadeia. No Brasil, esse processo é puramente manual: os profissionais encarregados da tarefa anotam a temperatura nos diferentes momentos de checagem. 

O país segue com números altos de desperdício de medicamento. Entre 2014 e 2015, o SUS jogou fora cerca de R$ 16 milhões em medicamentos de alto custo. Erros durante o armazenamento foram uma das causas. 

A preocupação deve ir além, já que o descuido com o monitoramento pode gerar alterações nas substâncias do remédio e afetar a saúde do paciente. Algumas delas, se aplicadas no paciente mesmo após as mudanças, podem até pôr em risco a vida dessas pessoas. Ao atingir a saúde da população, esse tipo de erro costuma parar na justiça, além de a própria instituição de saúde perder credibilidade. 

Tecnologia

Pensando nisso, a Anvisa passou a recomendar o uso de sistemas que vão além de um simples termômetro para controle de temperatura. O ideal é que as soluções possam oferecer alertas sonoros ou visuais que fazem com que os profissionais consigam reconhecer com mais rapidez alterações e/ou problemas em equipamentos.  

A melhor administração dos medicamentos termolábeis, que incluem importantes substâncias como insulina, por exemplo, deve garantir a diminuição do desperdício. Consequentemente, um dos impactos do melhor gerenciamento é a garantia de qualidade de vida de muitas pessoas, como você pode conferir em nosso próximo conteúdo.

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Lucas Almeida

Co-Fundador, Diretor de Marketing e Vendas

Engenheiro pela Poli-USP e especializado em Marketing e Administração pela ULV/CA.
Aqui na Nexxto minha missão é ajudar empresas a se tornarem mais eficientes e competitivas por meio da transformação digital.