Publicado em 17 março 2021 | Atualizado em 23 fevereiro 2021

Boas práticas de armazenamento de material biológico é um componente essencial de qualquer laboratório. Amostras biológicas frequentemente degradam com o tempo quando armazenadas ou transportadas em temperatura não-recomendada.

A melhor temperatura de armazenamento para uma determinada amostra biológica ou reagente varia. É necessário considerar o tipo de material biológico, da solução em que está suspenso, do uso pretendido da amostra e de quanto tempo o material será armazenado.

Algumas amostras também podem perder integridade em baixas temperaturas se submetidas a múltiplos ciclos de congelamento e descongelamento. Ou seja, mais que um controle rígido no armazenamento, é necessário ter mecanismos de acompanhamento durante o transporte.

Nesse sentido, é vital seguir estratégias chaves, além de todas as recomendações sanitárias tanto para armazenamento quanto para o transporte do material.

A temperatura no processo de armazenamento

A pesquisa biológica é impulsionada pela coleta repetitiva de amostras, que por sua vez são preservadas para exame posterior. A preservação de amostras biológicas é essencialmente o retardo forçado da degradação da amostra para que ela possa ser usada posteriormente para várias análises.

O meio de preservação de amostra a curto ou longo prazo segue regras internacionais, e é um aspecto crucial da pesquisa biológica.

As amostras biológicas podem ser armazenadas em 5 unidades de armazenamento diferentes: temperatura ambiente, geladeiras, freezers, freezers ultra baixo e freezers criogênicos. Cada um mantém a temperatura dentro de uma faixa controlada específica.

O meio de armazenamento refrigerado necessário é baseado no material biológico a ser acondicionado, na solução em que é suspenso, no uso a que se destina a amostra e no tempo que o material deve ser guardado.

Isso levanta a questão: o que cada uma das opções de armazenamento mencionadas acima fornecem e qual é a mais adequada para minha pesquisa e armazenamento de minhas amostras?

Abaixo, explicamos um pouco mais sobre cada tipo:

Armazenamento à temperatura ambiente (15ºC a 27ºC)

Os materiais biológicos que foram fixados com um conservante podem ser armazenados em temperatura ambiente em um prédio climatizado. Embora esse modelo não seja ideal para amostras das quais dados moleculares são desejados, às vezes é possível obter resultados de DNA de tecidos preservados ou secos que foram mantidos nessa condição.

No entanto, o DNA nesses tecidos costuma ser altamente degradado e apenas pequenas extensões de leitura são obtidas. O RNA se degrada rapidamente à temperatura ambiente e normalmente não pode ser isolado de tecidos que não foram mantidos no congelador.

Armazenamento refrigerado (2ºC a 5ºC)

Embora seja uma opção ruim para o armazenamento de longo prazo, as temperaturas refrigeradas são ideais para guardar reagentes biológicos de curto prazo frequentemente usados, como enzimas e anticorpos.

Estes reagentes perderão rapidamente a integridade se forem repetidamente congelados e descongelados durante o uso experimental de rotina. Normalmente permanecerão viáveis ​​em temperaturas refrigeradas quando usados ​​dentro dos prazos recomendados pelo fabricante.

Os materiais biológicos que não serão usados ​​em um curto período de tempo podem ser divididos e congelados até que sejam necessários. Isso reduz o número de ciclos de congelamento e descongelamento aos quais são submetidos.

Armazenamento no freezer (-20ºC)

Muitos materiais biológicos podem ser armazenados em temperaturas de congelamento padrão, de preferência em aparelhos sem ciclos de congelamento. Esses ciclos requerem breves períodos de descongelamento para evitar o acúmulo de gelo e podem degradar materiais biológicos.

O freezer de -20ºC é ideal para armazenamentos de curto prazo de amostras e reagentes que não são estáveis ​​em temperaturas mais altas. O DNA e o RNA podem ser normalmente obtidos de tecidos que foram suspensos em soluções adequadas antes do congelamento a -20ºC.

Porém, temperaturas mais frias são recomendadas para armazenamento de longo prazo ou para tecidos ou células que não estão suspensos em uma solução estabilizadora.

Armazenamento em freezer ultra baixo (-80ºC)

Os freezers ultra baixo de -80ºC são uma opção prática para o armazenamento de longo prazo de materiais biológicos. As temperaturas ultra baixas impedem a degradação de ácidos nucléicos, proteínas, moléculas endocrinas e muitas outras moléculas biológicas.

Foi demonstrado que essas temperaturas mantêm a viabilidade de vários ensaios biológicos e reagentes a longo prazo. Quando as amostras são armazenadas em temperaturas ultra baixas, é importante considerar os protocolos de congelamento-descongelamento.

As células geralmente se preservam melhor quando congeladas lentamente (cerca de 1ºC por minuto), mas descongeladas rapidamente (como em banho-maria).

Armazenamento em freezer criogênico (-150ºC a -190ºC)

Na conservação criogênica em freezer é frequentemente considerado o padrão ouro para armazenamento de longo prazo de amostras biológicas. A essas temperaturas extremamente baixas, toda a atividade biológica é suspensa e não ocorre degradação.

O congelamento criogênico é ideal para amostras sensíveis e espécimes que não podem ser suspensas em um conservante. Como o congelamento em temperatura ultra baixa, é importante considerar os protocolos de congelamento e descongelamento ao utilizar o armazenamento em freezer criogênico.

Afinal, qual a melhor opção?

Muitas variáveis ​​entram na tomada de decisões de temperatura de armazenamento ideal para materiais biológicos. Para reagentes e ensaios biológicos, geralmente é melhor seguir as recomendações do fabricante para temperaturas de armazenamento de curto e longo prazo.

Ao armazenar amostras preciosas, é importante considerar a estrutura molecular da amostra, os conservantes ou soluções com os quais ela está suspensa e o grau de integridade biológica necessário para objetivos analíticos ou de pesquisa futuros.

Uma consulta com um especialista em armazenamento biológico pode oferecer paz de espírito para suas amostras insubstituíveis.

As regulamentações de transporte

Outro ponto crítico está relacionado ao transporte de material biológico. É nesse momento que podem ocorrer as maiores falhas na manutenção da temperatura adequada. E a falta de rastreabilidade impede o acompanhamento ao longo do percurso, para certificar-se de que a temperatura se manteve dentro da faixa de segurança.

No Brasil, a regulamentação do transporte de material biológico é feita por meio da RDC nº 20 de 2014. Ela traz regras claras quanto a classificação, vedação, proteção, controle, entre outros parâmetros que devem ser aplicados.

Por meio de regras claras, o objetivo é garantir total integridade às amostras não só durante o armazenamento, mas também no transporte. Para isso, a RDC detalha orientações para:

  • Embalagem
  • Acondicionamento
  • Rotulagem
  • Responsabilidades do remetente, transportador e destinatário

Além disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) traz regulamentos específicos que variam de acordo com o modal escolhido para transporte, que pode ser terrestre, aéreo ou aquaviário.

No caso do transporte terrestre, as boas práticas são estabelecidas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), e que tem como regulamentações:

Já o transporte aéreo é considerado como um dos mais seguros, principalmente pela rapidez. Ele segue regulamentações Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), amparadas nas:

  • RBAC 175 da Anac
  • IS 175-00A de 2004 da Anac
  • Regulamentos da ONU para embalagem e transportes
  • Regulamentos da World Customs Organization de transporte e embalagem
  • Manual da Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA)

E por sua vez, o transporte de material biológico aquaviário é regulamentado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), quem como resoluções:

  • Resolução 2.239 de 2011 da Antaq
  • Código Marítimo Internacional de Mercadorias Perigosas (IMDG)
  • Classificação e rotulagem da Organização Mundial da Saúde (OMS)

A importância da rastreabilidade

Em todo o mundo, existem mais de 300 milhões de espécimes biológicos armazenados a temperaturas abaixo de -80 °C, mas a maioria deles são inutilizáveis.

De acordo com o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, até 70% dessas amostras são inúteis devido à falta de rastreabilidade. Sem registros de armazenamento ambiental adequados, não há como validar se as amostras foram preservadas de forma adequada.

Outro ponto crítico para o material biológico está no seu transporte. É, em geral, nesse momento que podem ocorrer falhas no controle de temperatura. E sem tal controle, fica impossível garantir a qualidade das amostras.

Portanto, entre as estratégias chaves para o armazenamento das amostras, é necessário garantir a manutenção da temperatura recomendada para cada material, bem como sua rastreabilidade.

Isso garante que ao longo de todo o percurso não houve variação crítica na temperatura de armazenamento dos insumos. Com a tecnologia atual, tudo pode ser feito remotamente, dando mais segurança e confiabilidade às informações.

E é sobre esse monitoramento remoto que tratamos nesse artigo em nosso blog. Confira!

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Redação Nexxto

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