12 novembro 2019

A transfusão de sangue é um procedimento bastante delicado, que requer extrema atenção e cuidado em todas as etapas de manejo dos hemocomponentes e hemoderivados, já que o processo abrange uma série de fatores e apresenta risco potencial para o receptor.

Todavia, para pacientes que aguardam por uma transfusão, mais do que respeitar normas e atender às questões técnicas, esse cuidado envolve o salvamento de suas vidas, e por isso é imprescindível o controle e a racionalização dos recursos, considerando o fator segurança em primeiro lugar.

Além disso, armazenar e conservar esses produtos de forma inadequada pode comprometer a qualidade do material, impedindo seu uso, e causando perdas financeiras significativas.

Levando em conta o alto custo dos recursos que envolvem as transfusões de sangue para o Sistema Único de Saúde (SUS), devido à mão de obra especializada e necessidade do uso de tecnologia avançada nos procedimentos, a manutenção desse material requer esforços para manter um controle rigoroso e um padrão de excelência.

Neste artigo vamos abordar algumas questões que envolvem todo o processo, desde a doação nos hemocentros até o momento da transfusão nos hospitais. Confira!

Diferenças entre hemocomponentes e hemoderivados

Quando falamos em hemocomponentes e hemoderivados, estamos tratando de produtos distintos, embora ambos tenham o sangue como origem.
Assim, a partir do sangue total retirado do doador, a hemoterapia produz quatro componentes separados a partir de processos físicos de centrifugação e congelamento: hemácias (glóbulos vermelhos), plaquetas, plasma e crioprecipitado.

Para que não ocorra a coagulação do sangue, esses componentes são conservados através de soluções anticoagulantes-preservadoras e soluções aditivas que mantém a viabilidade das células.

No caso dos hemoderivados – albumina, globulinas, fatores de coagulação e complexos protrombínicos –, esses produtos são obtidos através do fracionamento do plasma que é realizado por processos físico-químicos ou biotecnológicos.

Tanto os componentes quanto os derivados do sangue são de fundamental necessidade em diversos procedimentos, desde uma transfusão para o tratamento de hemorragia até as terapias de pacientes com hepatite B ou hemofilia, o que reforça a importância de garantir a armazenagem correta desse material em todas as instâncias.

O trajeto do sangue: da doação à transfusão

É importante frisar que todo o cuidado e controle necessários envolvendo hemocomponentes e hemoderivados não se dá somente em vias de uma transfusão, mas desde a doação do sangue nos hemocentros.

Atualmente, no Brasil, estima-se que de cada mil habitantes 16 sejam doadores de sangue, o que corresponde a 1,6% da população. Apesar de parecer um número baixo, ele está dentro dos parâmetros definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Dados publicados em junho de 2019 pela agência de notícias do Ministério da Saúde apontam que durante o ano de 2017 foram coletadas cerca de 3,4 milhões de bolsas de sangue e realizadas 2,8 milhões de transfusões no país. Dessas doações, 66% foram feitas de forma espontânea e 34% para atender à necessidade de um paciente, sendo chamadas de doações de reposição.

Em um vídeo explicativo, o MS mostra rapidamente o caminho percorrido pelo sangue desde a doação, passando pela separação dos hemocomponentes, até ser disponibilizado para transfusões no banco de sangue da localidade onde foi doado.

Ou seja, é justamente por conta desse percurso e de tudo que o envolve, que podemos perceber a relevância desse processo e o quão imprescindíveis são os investimentos em tecnologias que garantam sua eficiência e evitem o máximo de erros e suas consequências.

Regras para armazenagem e conservação do sangue

Conforme a Portaria nº 158 do Ministério da Saúde, que redefine o regulamento técnico dos procedimentos hemoterápicos, cada hemocomponente e hemoderivado deve obedecer regras específicas de armazenagem e conservação, devendo ser alojados em câmaras exclusivas e apropriadas para este fim, com regulagem de temperatura e prazos variáveis.

A portaria também estabelece que a identificação e a localização dos compartimentos sejam de fácil visualização dentro da câmara.

Desse modo, seguir tais recomendações técnicas requer uso de mecanismos, aparelhos e suporte tecnológico, visando melhorar o fluxo de trabalho e maximizar a eficiência de todo o processo.

Por exemplo, nas câmaras de conservação é necessário um sistema de ventilação que permita a circulação do ar e distribuição da temperatura de modo uniforme em todos os compartimentos. Além disso, o órgão recomenda um registrador gráfico contínuo de temperatura nas câmaras onde são armazenadas hemácias, plaquetas e plasma.

Entretanto, o monitoramento das temperaturas dos hemocomponentes e hemoderivados deve ser acompanhada periodicamente por profissionais capacitados, sendo realizada a cada 4 horas em equipamentos de uso rotineiro ou a cada 12 horas, no máximo, quando nas situações em que as câmaras permanecem fechadas, com a instalação obrigatória de um termômetro que registre as temperaturas máxima e mínima.

Erros de armazenagem: quais as consequências?

Conforme as recomendações do Ministério da Saúde, ao constatar a necessidade permanente de interferência humana que, embora qualificada, está sujeita a falhas e erros no processo – ainda que conte com termômetros, registradores e alarmes – é preciso considerar os riscos e as consequências desse tipo de monitoramento.

Desse modo, quaisquer falhas nos procedimentos de hemovigilância, podem causar danos irreversíveis aos componentes e derivados sanguíneos por conta de temperaturas minimamente incorretas, acarretando perda do produto e significando um grande prejuízo material, além de também prejudicar a saúde de milhares de pessoas que aguardam pela transfusão, quando os bancos de sangue já se encontram em déficit constante dos estoques de sangue.

Como a tecnologia Nexxto pode auxiliar na conservação desse material

Diante da imensa gama de recursos tecnológicos na área de automatização de processos, em escalas que vão desde uma pequena empresa de varejo até uma grande indústria, contar com registros manuais em planilhas, além de arcaico, é mais oneroso em termos de mão-de-obra e sujeição a erros.

E quando falamos em saúde, a necessidade de investimento em alta tecnologia é algo que dispensa justificativas, uma vez que a automatização reduz falhas e traz mais segurança aos pacientes e aos profissionais envolvidos.

Por isso, é de suma importância ter um sistema que te auxilie no processo de conservação e monitoramento de temperatura dos hemoderivados e hemocomponentes.

Se você está interessado em investir na automação do seu processo de controle e registro das temperaturas agende uma demonstração e saiba melhor como a Nexxto pode te ajudar nisso!

h

Lucas Almeida

Cofundador e CRO da Nexxto

Trabalho todos os dias para ajudar o setor de saúde a ser mais digital e eficiente, possibilitando que mais pessoas no Brasil tenham acesso a serviços com qualidade e segurança.