Publicado em 12 novembro 2019 | Atualizado em 9 junho 2022

A doação de sangue é um ato de altruísmo e através da transfusão, muitas pessoas recebem uma segunda chance de viver. Por este motivo, os hemocomponentes e hemoderivados são materiais que precisam ser armazenados com cuidado para beneficiar o maior número possível de pacientes. 

 

O procedimento de transfusão requer extrema atenção em todas as etapas pois é diretamente responsável por salvar suas vidas. Esse cuidado no manejo dos hemocomponentes e hemoderivados é necessário porque existem uma série de riscos que ameaçam a qualidade do sangue destinado a um paciente.

Sendo assim, a segurança é um dos pilares fundamentais do trabalho em um hemocentro e inclui:

  • O mapeamento dos riscos de contaminação do sangue doado;
  • A identificação de problemas nos procedimentos adotados;
  • O ajuste de processos que não estão cumprindo o objetivo desejado.

Nesse contexto, é imprescindível que o armazenamento desses hemocomponentes e hemoderivados seja rigoroso. A conservação adequada dos materiais assegura o máximo aproveitamento da doação, enquanto a negligência é a causadora número um de perdas financeiras.

Neste artigo vamos abordar alguns dos pontos mencionados acima que envolvem todo o processo – desde a doação nos hemocentros até o momento da transfusão nos hospitais.

 

Cenário de doações de sangue no Brasil

Atualmente, o Ministério da Saúde estima que 16 a cada mil habitantes sejam doadores de sangue, o que corresponde a 1,6% da população brasileira. Embora esse número pareça baixo, está dentro dos parâmetros recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Dados publicados em junho de 2019 pela agência de notícias do Ministério da Saúde apontam que durante o ano de 2017 foram coletadas cerca de 3,4 milhões de bolsas de sangue e realizadas 2,8 milhões de transfusões no país. Dessas doações:

  • 66% foram feitas de maneira espontânea;
  • 34% para atender à necessidade de um paciente (doações de reposição).

Entretanto, a pandemia foi um duro golpe para vários hemocentros do país, que viram seus estoques se esgotarem rapidamente e a reposição não acompanhar o mesmo ritmo.

Em uma matéria publicada pelo portal G1 em junho de 2022, o Hemocentro da Unicamp (SP) relata uma queda de 40% no número de doações. No mesmo período do ano, é necessário coletar cerca de 1,2 mil bolsas de sangue para assegurar o funcionamento do hemocentro, contudo em alguns dias apenas 30 doações foram feitas.

O Hemominas (MG) também relata um cenário de baixos estoques. Em uma entrevista ao Jornal Nacional, a responsável pelo setor de captação, Hellen Heloisa Dupim, ressaltou: “Os nossos tipos sanguíneos positivos estão com uma queda de aproximadamente 50%. Já os negativos, estão mais baixos ainda, aproximadamente 60%”.

 

Junho Vermelho

Durante o mês de junho, celebramos o Dia do Doador de Sangue no dia 14 e a partir desse momento, foi elaborada a campanha Junho Vermelho. Durante o mês, hemocentros de todo o país fazem um convite direto para que mais pessoas se tornem doadoras de sangue.

Se você quer doar mas não sabe como fazer isso, no portal do Governo Federal você encontra informações sobre os requisitos para fazer uma doação, locais que fazem a coleta e o caminho que o sangue percorre até chegar a quem mais precisa.

Doe sangue e salve vidas! 

 

Diferenças entre hemocomponentes e hemoderivados

Quando falamos em hemocomponentes e hemoderivados, estamos falando de produtos distintos, embora ambos tenham o sangue como origem. Ambos são fundamentais em procedimentos, como uma transfusão, e em terapias de pacientes com doenças ou deficiências.

 

Hemocomponentes

A partir do sangue coletado, profissionais do hemocentro usam técnicas de centrifugação e congelamento para fracionar o volume total da bolsa em quatro componentes. Todos os quatro são utilizados nas transfusões sanguíneas e podem beneficiar até quatro pacientes.

São eles:

 1. Concentrado de hemácias

As hemácias são os glóbulos vermelhos do sangue, responsáveis pelo transporte do oxigênio para as células de todo o organismo e levam o gás carbônico das células para os pulmões. Cada hemácia tem vida média de 120 dias no organismo e existem aproximadamente 4,5 milhões delas por milímetro cúbico de sangue.

2. Concentrado de plaquetas

As plaquetas são células que participam da coagulação, ou seja, atuam na interrupção de sangramentos. Diferente das hemácias, a vida média das plaquetas é curta e existem de 150 a 400 mil por milímetro cúbico de sangue.

3. Plasma fresco congelado

O plasma é um líquido amarelado que corresponde a 55% do volume total do sangue. Cerca de 90% do plasma é composto de água e nele estão dissolvidos proteínas, açúcares, gorduras e sais minerais indispensáveis ao organismo.

4. Crioprecipitado

O crioprecipitado é uma fonte concentrada de algumas proteínas do plasma que são insolúveis à temperatura de 1°C a 6°C. Cada bolsa de sangue doado possui de 10ml a 20ml deste hemocomponente que é usado em certos casos para tratar sangramentos ativos ou para preveni-los.

 

Hemoderivados

De maneira geral, os hemoderivados possuem aplicações distintas e são usados para tratar condições de pacientes com necessidades particulares. Eles são produzidos em escala industrial através do processamento do plasma, onde é possível obter algumas proteínas específicas, como:

1. Albumina

Usada na reposição volêmica na maioria dos procedimentos de plasmaférese, em casos de nefropatia/ enteropatia perdedora de proteínas com edema que não responde ao uso de diuréticos e para queimaduras com hipoproteinemia.

2. Complexo Protrombínico

Indicado em caso de prevenção de sangramento em procedimentos invasivos ou para tratamento de sangramentos em portadores de deficiências de um dos fatores presentes no complexo protrombínico (II, VII,IX,X).

3. Fator VIII da Coagulação

Este hemoderivado é utilizado na prevenção e tratamento de sangramentos em pacientes portadores de Hemofilia A (Deficiência do Fator VIII).

 

Regras para armazenagem de hemocomponentes e hemoderivados

A Portaria nº 158 do Ministério da Saúde, publicada em 2016, redefine o regulamento técnico de procedimentos hemoterápicos. No documento, são abordados aspectos como:

  • Armazenamento

Cada hemocomponente e hemoderivado deve ser armazenado e conservado dentro de câmaras frias exclusivas e apropriadas para este fim. Os compartimentos devem ser fáceis de localizar e identificar dentro da câmara.

  • Temperatura

A temperatura das câmaras frias deve ser mantida dentro de uma faixa pré-determinada na portaria e regulada por dispositivos de controle de temperatura. Nas câmaras frias, por exemplo, é necessário um sistema de ventilação para a circulação do ar e distribuição da temperatura uniformemente em todos os compartimentos.

  • Validade

Cada hemocomponente e hemoderivado possui uma validade diferente. Todas devem ser observadas rigorosamente para garantir a qualidade do material.

As recomendações do Ministério da Saúde também incluem diretrizes para que os profissionais responsáveis monitorem e controlem a temperatura do armazenamento do sangue. O objetivo final é evitar que a qualidade seja comprometida e os componentes e derivados descartados.

Esse monitoramento e controle pode ser feito de duas maneiras.

 

1. Monitoramento manual

O Ministério da Saúde recomenda que um registrador gráfico contínuo de temperatura esteja posicionado nas câmaras onde são armazenados os hemocomponentes e hemoderivados.

A cada 4 horas, um profissional deve registrar manualmente em uma planilha a temperatura máxima e a temperatura mínima naquele período. Entretanto, esse procedimento depende da ação humana e apenas um registro negligenciado pode ser o suficiente para não captar um mau funcionamento da câmara e comprometer todo o estoque.

Outro ponto importante é que o registro manual consome muito tempo dos profissionais, que precisam se deslocar, escrever as temperaturas e conferir o funcionamento das câmaras frias. Esse tempo gasto poderia ser usado para auxiliar em tarefas mais importantes, incluindo o cuidado com doadores e receptores.

 

2. Monitoramento automatizado

O monitoramento automatizado – através de um sensor de temperatura e uma plataforma online de visualização – possui uma série de benefícios que o tornam mais seguro que o registro manual. A lista abaixo contém sete deles.

1. Registra a temperatura em espaços de tempo curtos, aproximadamente de minuto a minuto. Dessa maneira qualquer desvio de temperatura, por menor que seja, é registrado.

2. Os dados são disponibilizados em tempo real. Portanto, todas as variações que foram identificadas pelo sistema podem ser vistas e acessadas a qualquer momento do dia.

3. A análise de dados é otimizada através de relatórios no padrão ANVISA e com gráficos (temperatura vs. tempo).

4. Uso de alarmes sonoros. Assim que houver um excursionamento de temperatura, os alarmes soam para alertar sobre o problema.

5. Os alarmes também acionam os profissionais responsáveis por aquele estoque via e-mail, mensagem de texto ou ligação para verificar a condição dos hemocomponentes e hemoderivados.

6. Controle integrado de vários sensores de temperatura ao mesmo tempo. Caso o estoque seja grande, com várias câmaras frias e geladeiras, o sistema consegue reunir os dados de todos os sensores em um único lugar.

7. Acesso de qualquer lugar. A plataforma online pode ser acessada em um computador ou celular.

Com o auxílio da tecnologia, o monitoramento é automatizado e o controle dos profissionais se torna mais proativo – quando o problema aparecer, já pode ser solucionado em tempo reduzido e as perdas financeiras são evitadas.

 

Como a Nexxto pode auxiliar na conservação de hemocomponentes e hemoderivados

A automatização reduz falhas e torna os processos mais seguros para os pacientes que necessitam de transfusões. Por isso, a Nexxto desenvolveu um sistema que auxilia no processo de monitoramento de temperatura dos hemoderivados e hemocomponentes.

Para conhecer como a Nexxto pode auxiliar a sua instituição de saúde a salvar mais vidas e evitar catastróficos prejuízos ao estoque de sangue, entre em contato com um dos nossos consultores!

 

Você está interessado em investir na automação do seu processo de controle e registro das temperaturas? Fale com um dos nossos consultores e saiba melhor como a Nexxto pode te ajudar nisso!

h

Lucas Almeida

Cofundador e CRO da Nexxto

Trabalho todos os dias para ajudar o setor de saúde a ser mais digital e eficiente, possibilitando que mais pessoas no Brasil tenham acesso a serviços com qualidade e segurança.