Publicado em 13 outubro 2020 | Atualizado em 13 outubro 2020

Realidade Aumentada (ou RA) e tecnologias similares, como a Realidade Virtual (RV), estão em ascensão. Recente estudo da IDC aponta que a expectativa de investimentos em ambas as soluções chegue a US$ 18,8 bilhões.

Em vendas, as projeções de ambas as tecnologias pode chegar a US$ 150 bilhões, com 80% do total direcionado ao uso da Realidade Aumentada. E isso inclui as aplicações práticas na saúde e no cuidado ao paciente.

A indústria em geral já espera um aumento quantitativo no uso da tecnologia, com um crescimento médio de 23% do mercado entre os anos de 2017 e 2023. E isso já pode ser percebido, atualmente. Ainda mais, quando já existem tantas empresas de desenvolvimento e instituições na saúde avaliando possibilidades e execuções de ambas as tecnologias — com possibilidades realmente inovadoras para o setor.

O que é a Realidade Aumentada?

Para muita gente, a Realidade Aumentada pode parecer um mistério ainda. Principalmente na saúde. Só que já tivemos casos de elevada popularização da tecnologia.

Diferentemente da Realidade Virtual, que causa uma imersão em ambientes digitais, a Realidade Aumentada integra o físico e o virtual por meio da sobreposição de imagens computadorizadas no mundo tal qual conhecemos e enxergamos.

Para tanto, usamos algum tipo de dispositivo para gerar essa integração. O Google, por exemplo, lançou o Google Glass. No game acima citado, o dispositivo é o próprio celular ou tablet dos usuários. Graças a esses aparelhos, inclusive, é que temos acesso às informações contidas em QR Codes, por exemplo.

Já o jogo Pokémon Go, para celular, foi um sucesso absoluto desde o seu lançamento, em 2016, tendo arrecadado um total de US$ 3,1 bilhões com o game desde então. Tudo por conta da interação diferenciada desse tipo de tecnologia.

Isso significa, então, que a Realidade Aumentada interage com o mundo virtual através de um dispositivo e um software que estabeleça a imagem virtual sobre o mundo físico.

Quais são as suas aplicações e benefícios?

Setores industriais já têm feito uso da Realidade Aumentada para o treinamento de funcionários e também para simulações de suas atividades sem expô-los desnecessariamente a riscos.

Nesses casos, eles trabalham equipados com óculos especiais ou softwares instalados em seus celulares, e podem consultar informações virtuais sobre os QR Codes. Dados que podem servir para orientar explicar ou alertar os colaboradores sobre a maneira correta de lidar com o processo em questão.

Na saúde, não é diferente. Pesquisas e trabalhos práticos já estão transformando o setor, como um todo. Cirurgiões podem ter acesso facilitado ao histórico do paciente, em tempo real, na mesa de cirurgia. A complexidade da anatomia humana também adquire uma “aura virtual” que pode garantir mais precisão na realização de procedimentos e, consequentemente, menos riscos ao paciente.

Imagine a eficiência de analisar a musculatura, veias e órgãos de um paciente, a partir da integração de dados com os exames de ressonância magnética ou de uma tomografia computadorizada, entre outros?

Paramédicos e outros profissionais na saúde que atendem a emergências também têm a Realidade Aumentada como aliada. Afinal, eles podem consultar informações cruciais em tempo real para garantir um atendimento rápido, preciso e cujos segundos podem salvar vidas.

Em uma época na qual falamos abertamente de um hospital conectado, a Realidade Aumentada é uma solução da qual a versatilidade de aplicações tem despertado o interesse do setor.

Quais são as diferenças entre Realidade Aumentada e Realidade Virtual?

Vale entender, contudo, o que diferencia a Realidade Aumentada e a Realidade Virtual antes de prosseguirmos. Embora sejam costumeiramente associadas, elas carregam grandes distinções.

E a principal delas é o meio onde os dados e os usuários estão inseridos. Por exemplo:

  • na Realidade Virtual, o usuário é migrado para uma área inteiramente virtual, construída para que ele interaja com esse ambiente digital;
  • na Realidade Aumentada, o usuário permanece em contato com o mundo real e as imagens digitais são sobrepostas em objetos físicos para que ele continue em interação com o ambiente presencialmente.

Outro ponto significativo: a Realidade Virtual necessita de um software que integre esses dados virtuais, além de um hardware (um dispositivo que “traduza” as informações para serem transpostas). O mesmo vale para a Realidade Aumentada, mas sua implementação pode ser simplificada.

Como já dissemos, o jogo Pokémon Go só necessita de um dispositivo móvel conectado à internet. Uma simples solução que ajudou a reunir dezenas de milhões de jogadores no mundo inteiro.

Como aplicar a RA em benefício do paciente?

Na saúde, o paciente tem muito a se beneficiar da Realidade Aumentada. E, para exemplificar, vamos conferir algumas aplicações da tecnologia que já se transformaram em cases do setor:

  • dentistas usam a tecnologia para escanear a arcada de pacientes e desenvolver restaurações com precisão;
  • enfermeiros podem usar a solução para simular diferentes cenários no cuidado ao paciente sem, necessariamente, estar em contato com ele;
  • a integração com exames de imagem é uma das grandes tendências esperadas com a Realidade Aumentada. No pré-operatório, por exemplo, o médico consegue avaliar as melhores alternativas para a realização de um procedimento mais ágil e seguro;
  • professores podem usar a RA para criar uma imersão mais profunda em conceitos e aplicações de terapias e medicamentos;
  • procedimentos cirúrgicos à distância podem ser realizados, uma vez que um médico pode orientar seu colega de trabalho mostrando, precisamente, por onde nortear-se ao longo do procedimento;
  • a medicina diagnóstica tem muito a se beneficiar, porque a RA auxilia o paciente a explicar melhor os seus sintomas, o que garante uma tomada de decisão mais assertiva e ágil do médico;
  • tecnologias têm sido consideradas também como softwares de reconhecimento para auxiliar pessoas com deficiência visual.

Ou seja, da teoria à prática e em diferentes áreas de especialização na saúde, a Realidade Aumentada tem explorado novas soluções de maneira acelerada.

Quais soluções de Realidade Aumentada já existem na saúde?

Entre softwares e aplicações práticas na medicina, a tecnologia já tem um amplo repertório de uso. Abaixo, destacamos alguns dos produtos que já estão disponíveis nas lojas de aplicativos, como:

  • EyeDecide, que simula diferentes disfunções e distúrbios para conferir mais precisão ao diagnóstico;
  • DoctorMole, que auxilia o médico a analisar manchas suspeitas no corpo do paciente;
  • Healthcare App (by pixelbug), que oferece um entendimento prático a respeito de novos equipamentos e dispositivos tecnológicos da medicina;
  • Anatomy 4D, uma solução que aprofunda a interação de profissionais e estudantes sobre a anatomia humana;
  • MEVIS Surgery App, que reconstrói digitalmente os órgãos para simular procedimentos cirúrgicos com mais facilidade e bastante precisão;
  • MedicAR, um aplicativo que, através do Google Glass, ajuda na tomada de decisão mais assertiva durante procedimentos cirúrgicos.

Você deve ter percebido, inclusive, que as expectativas bilionárias em torno da Realidade Aumentada estão apenas mostrando o potencial embrionário desse tipo de solução. O que será que o futuro nos reserva?

O que esperar do futuro da medicina com a RA?

Existem boas perspectivas para tornar a Realidade Aumentada em um meio primário de instrução e aplicação no dia a dia na saúde. As possibilidades são tão extensas quanto variadas, conforme os exemplos acima citados, mas caminham rapidamente para técnicas e conceitos inovadores para os próximos anos — ou mesmo em curto prazo.

Para tanto, a Realidade Aumentada tem que estar em alinhamento com outras noções e conceitos digitais, tecnologias e soluções, como dispositivos móveis.

E para entender melhor para onde esses rumos podem estar se dirigindo, aproveite para saber mais sobre a Internet das Coisas e como a tecnologia tem revolucionado a assistência médica!

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Lucas Almeida

Cofundador e CRO da Nexxto

Trabalho todos os dias para ajudar o setor de saúde a ser mais digital e eficiente, possibilitando que mais pessoas no Brasil tenham acesso a serviços com qualidade e segurança.