Publicado em 25 fevereiro 2020 | Atualizado em 27 março 2020

Se existe uma área que merece destaque na cardiologia, esta certamente é a da hemodinâmica que, dentro da medicina, é conhecida por ser a disciplina que avalia os movimentos e pressões da circulação sanguínea para combater complicações de saúde.

Apesar de parecer recente, ainda mais com os avanços dos últimos anos, suas origens podem ser datadas de 1929, quando o Dr. Werner Forssmann, um cirurgião alemão, realizou um procedimento até então inédito: introduziu um de cateter na veia de seu braço e, com a ajuda de um radioscópio, monitorou o percurso do tubo até o átrio direito de seu coração. Nascia ali as bases do cateterismo cardíaco.

De lá para cá, os avanços tecnológicos permitiram que hoje seja possível realizar uma série de procedimentos minimamente invasivos e, por outro lado, altamente eficazes na missão de diagnosticar e tratar malformações cardíacas ou obstruções em veias e artérias, dentre outros problemas vasculares que os pacientes possam desenvolver.

A hemodinâmica na prática

Se antes os procedimentos cardíacos eram feitos “no escuro”, sem a certeza de que iriam combater efetivamente qualquer enfermidade que circulasse pelo sangue, atualmente com os avanços da hemodinâmica têm possibilitado minimizar erros médicos e, dessa forma:

  • desobstruir ou combater malformações de veias e artérias;
  • identificar aneurismas, arritmias, embolizações de tumores e valvuloplastias sem agredir tanto o corpo;
  • realizar angiografias, isto é, exames que avaliam a saúde dos vasos sanguíneos.

E tudo isso sempre com foco em deixar o mínimo de sequelas ao paciente, contribuindo para diminuir seu tempo de internação e impactando na queda dos índices de morbidade e mortalidade.

Os tipos de procedimentos hemodinâmicos

Sem dúvidas, o procedimento mais comum nessa área é o cateterismo, que surgiu com o pioneirismo de Werner Frossman, como contamos no começo do texto. Além dela, nós temos também outra importante modalidade que é a monitorização hemodinâmica.

A monitorização hemodinâmica (invasiva e não invasiva)

O termo lhe pareceu confuso? Vamos ilustrar com uma situação: quando você visita um médico, mesmo que um profissional clínico geral, é comum que ele realize alguns exames de rotina, como aferir sua pressão arterial ou medir sua frequência cardíaca com um estetoscópio, certo?

Se você respondeu sim, significa que ele realizou técnicas não invasivas para monitorar a pressão e movimentos arteriais no seu corpo.

Em outras palavras, é a chamada monitorização hemodinâmica não invasiva que, aliás, tem sido cada vez mais adotada em centros cirúrgico ou em unidades de emergência, como nas UTIs. O intuito é, como o nome sugere, tornar menos invasiva – ou mesmo dolorosa – o acompanhamento de alguns indicadores de saúde do paciente, ainda mais quando ele se encontra debilitado.

E, assim como em outros casos na hemodinâmica, também existem procedimentos invasivos mesmo no monitoramento. Isso acontece porque, dependendo do estado do paciente, faz-se necessário aferir, literalmente, a pressão intravascular (de dentro das veias). Nesses casos, os procedimentos envolvem a introdução de cateteres.

Existem ainda outros procedimentos e que, inclusive, se relacionam a outras áreas na medicina, como a neurologia. A seguir, trazemos alguns exemplos:

Neurocirurgia Intervencionista

Assim como o nome sugere, trata-se do conjunto de procedimentos minimamente invasivos que permitem aos médicos monitorar, diagnosticar e combater quaisquer problemas de saúde decorrentes da má circulação sanguínea na região próxima ao cérebro.

Arritmologia

No caso da arritmologia, o objetivo é identificar os motivos pelos quais o batimento cardíaco está mais rápido (taquicardia) ou devagar (bradicardia) e, a partir daí, tratá-lo da maneira menos invasiva possível.

Cirurgia Vascular e Endovascular

Outra categoria bastante sensível dentro da hemodinâmica é aquela que foca nos vasos e artérias.

Cardiologia Intervencionista

Por fim, temos a própria cardiologia, que se apropria bastante dos procedimentos da hemodinâmica para impedir problemas em veias e artérias que possam provocar infartos, AVC ou demais complicações de saúde.

Os impactos dos avanços tecnológicos na hemodinâmica

Assim como falamos em outros textos do blog, os avanços da tecnologia na saúde têm permitido maior bem estar ao paciente ao proporcionar um atendimento mais humanizado e procedimentos mais assertivos com menores consequências à sua recuperação.

Essa evolução também está presente na hemodinâmica, não por acaso nos últimos anos temos presenciado a chegada de novas tecnologias como o da stent bioabsorvível, que permite a normalização do fluxo sanguíneo no vaso obstruído e diminui o risco de novos entupimentos. Ou seja, proporciona maior segurança ao paciente pois as chances do organismo rejeitar a stent diminuem.

A tecnologia da stent vem sendo implantada pelo HCor desde 2015, quando sancionada pela ANVISA.

Mais um exemplo é o do próprio Governo do Estado de São Paulo que, em julho do ano passado, adquiriu novos equipamentos de ressonância, cateterismos e angioplastias para unidade de Saúde de Bauru, no interior.

A iniciativa, que integra o programa “Melhor pra sua Saúde”, tem como objetivo ampliar e modernizar os serviços estaduais de saúde, por meio de reformas, revitalizações e renovação do parque tecnológico até 2020.

Ainda falando de iniciativas governamentais, temos o exemplo da cidade de Londrina (PR) que, há alguns anos, reinaugurou seu Centro de Hemodinâmica com equipamentos que permitem dobrar a capacidade e reduzir o tempo de espera do paciente.

Tudo isso nos mostra que o cenário da hemodinâmica na saúde brasileira tem sido bastante favorável à aplicação de novos equipamentos e metodologias cirúrgicas. Ou seja, caso as instituições de saúde não estejam em conformidade com estes avanços, o mais prudente é atualizar-se o mais rápido possível.

Isso não será apenas positivo para empresa, mas principalmente aos olhos do paciente, que enxergará mais valor na estrutura proporcionada.

otimizar tempo na farmácia hospitalar

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Lucas Almeida

Cofundador e CRO da Nexxto

Trabalho todos os dias para ajudar o setor de saúde a ser mais digital e eficiente, possibilitando que mais pessoas no Brasil tenham acesso a serviços com qualidade e segurança.