Publicado em 26 dezembro 2019 | Atualizado em 4 março 2020

Desde a primeira revolução industrial, ocorrida entre os séculos XVIII e XIX, temos vivenciando uma verdadeira transformação em diversos aspectos da sociedade: no regime de trabalho, na geração de riquezas e, principalmente, na maneira como diagnosticamos e tratamos as doenças. Somado à revolução tecnológica que vem se intensificando nos últimos anos, existe uma forte tendência da integração desses avanços em Tecnologia da Informação (TI) na área da saúde, revolução essa que chamamos de Saúde 4.0.

Explicando melhor: a Saúde 4.0 diz respeito à automatização e modernização de dispositivos e recursos – por meio de tecnologias como Internet das Coisas (Iot) e Inteligência Artificial (IA) – que, instalados dentro das instituições de saúde ou em aparelhos de uso contínuo dos médicos, permitirá o diagnóstico cada vez mais precoce das doenças, evitando assim o tratamento quando o paciente já está enfermo.

Na prática, o objetivo é promover o bem estar físico e mental do paciente por meio de um atendimento individualizado e preciso, uma vez que os recursos tecnológicos permitirão o rastreamento e identificação rápida de alterações no corpo dos pacientes, proporcionando um tratamento personalizado e, o mais importante, eficaz.

Desafios da Saúde 4.0

Por mais benéfica que seja toda a mudança que a saúde 4.0 se pretende trazer, a sua implantação envolve uma série de barreiras que o País precisa enfrentar. A primeira delas, talvez, seja a retomada da relação médico-paciente como uma necessidade de se manter um acompanhamento contínuo. E o grande impeditivo disso está, por exemplo, na automedicação.

Uma pesquisa feita pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) com 2.126 entrevistados mostrou que 8 em cada 10 brasileiros admitem se automedicar, principalmente em casos de sintomas como dores de cabeça (56%), febre (32%), resfriado (31%) e dores musculares (28%).

O estudo ainda mostrou que 68% das pessoas preferem receber recomendações da família na hora de pesquisar por um medicamento e 41% admitiram ter prescrito alguma medicação para um(a) amigo(a).

A (má) qualidade no atendimento de saúde é outro grande culpado

Além desse comportamento preocupante da automedicação, existe outra realidade bastante desafiadora para modernização da saúde no Brasil: a da qualidade do atendimento nas unidades de saúde, especialmente as de iniciativa pública.

Um levantamento da revista “The Lancet” mostrou que a precariedade nessas unidades é um dos grandes responsáveis pela alta mortalidade em países de média e baixa rendas.

Para se ter uma ideia da gravidade do problema: no nosso País, cerca de 153 mil mortes são causadas, todo ano, pela má qualidade no atendimento dessas unidades e outras 51 mil mortes são provocadas por falta de acesso a atendimento de saúde.

As principais inovações tecnológicas até então

Se por um lado o cenário da saúde no Brasil é bastante desafiador, por outro temos uma perspectiva bastante atrativa para consolidação da saúde 4.0 a nível global: o aumento da expectativa de vida, atrelado a maior individualização de diagnósticos e terapias e medicina de maior precisão indicam que os gastos globais com saúde devem crescer 5,4% de entre 2017 e 2022, passando de US$ 7,72 trilhões para US$ 10 trilhões. Os dados são da consultoria inglesa Economist Intelligence Unit.

Mas afinal, quais são os avanços tecnológicos que temos até o momento e quais as expectativas da área para os novos dispositivos advindos da Saúde 4.0? Vamos ver um pouco mais do que englobam essas tecnologias no setor de saúde.

DMAs (Dispositivos Médicos Amplos)

As DMAs é a sigla que define quaisquer materiais, equipamentos e instrumentos destinados a realizar o diagnóstico ou ao tratamento de alguma doença. Destrinchando mais o conceito, os dispositivos médicos podem ser classificados em 4 subcategorias, que são:

1. Equipamentos Médicos

Trata-se dos aparelhos utilizados em hospitais e/ou clínicas médicas durante as consultas. Lembrando que estes equipamentos exigem manutenção frequente e auxiliam no diagnóstico, emitindo relatórios e ou exames que são analisados por um especialista.

Vale lembrar que, em alguns casos, estes mesmos equipamentos que são responsáveis por realizar o monitoramento e acompanhamento de importantes indicadores hospitalares.

2. Diagnóstico “in vitro”

É o exame que utiliza um material que, em contato com amostras do corpo humano por meio de um aparelho ou sistema “in vitro”, tem reações que auxiliam os médicos a obter informações sobre os estados fisiológicos de saúde ou de doença do paciente.

3. Dispositivos Médicos

Com função semelhante ao dos equipamentos, os dispositivos médicos envolve materiais, instrumentos ou máquinas utilizados com objetivo de prevenir, detectar, diagnosticar ou tratar um determinado sintoma ou doença.

4. E-saúde

Por fim, temos o chamado e-saúde, que também pode ser nomeada de Telessaúde ou de Telemedicina. Essa área abrange produtos para saúde que utilizam recursos de TI para atender, diagnosticar, monitorar ou prestar serviços remotos de saúde.

Ainda sobre Telemedicina

Mesmo em se tratando de uma modalidade DMA, a Telemedicina merece um capítulo à parte. Isso porque, quando implantada, permite monitorar e interpretar informações fundamentais por meio da coleta de dados de uma base de pacientes, permitindo às equipes médicas tomadas de decisão mais assertivas para prevenção e promoção da qualidade de vida para os pacientes.

E o grande trunfo de toda essa tecnologia está, justamente, no fato de que ela pode ser usufruída de maneira remota. Isso significa que, no caso do Brasil, será possível oferecer um atendimento de mais qualidade a unidades de saúde mais distantes, onde geralmente não chega facilmente aparelhos e/ou estruturas de mais qualidade para oferecer uma melhor assistência aos pacientes.

Para equipes médicas, também representa uma oportunidade de potencializar a capacitação desses profissionais Brasil afora.

Qual expectativa da Saúde 4.0 no Brasil?

Ainda é cedo para termos uma previsão, ainda mais levando em consideração a discrepância que ainda temos na qualidade da estrutura e do atendimento em instituições de saúde públicas e privadas.

O momento para os hospitais e clínicas médicas é o de buscar se atualizar sobre as principais tecnologias e capacitar seu corpo de funcionários para estarem preparados para implantação da nova cultura que chegará – e já tem chegado – com a Saúde 4.0.

panorama transformação digital

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Lucas Almeida

Cofundador e CRO da Nexxto

Trabalho todos os dias para ajudar o setor de saúde a ser mais digital e eficiente, possibilitando que mais pessoas no Brasil tenham acesso a serviços com qualidade e segurança.