13 fevereiro 2020

A ressonância magnética é um tipo de exame de diagnóstico por imagem bastante preciso, utilizado para investigar a presença de doenças neurológicas, cardíacas, ortopédicas e abdominais, permitindo uma ampla análise dos resultados.

Entre os vários tipos de exames de imagem existentes – tomografia, raio-x e ultrassom são os mais populares – a ressonância é a mais precisa, devido às imagens em alta definição que podem ser capturadas em 2D ou 3D. Além disso, o procedimento é totalmente indolor e bastante seguro.

Contudo, por ser um equipamento de ponta, não emitir radiação e possuir um alto custo de investimento na instalação, que requer o cumprimento de uma série de normas e exigências, este exame acaba se tornando um pouco mais caro para o paciente e para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Todavia, apesar dos custos elevados, o Brasil é recordista entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), na realização de exames de ressonância feitos através da Saúde Suplementar, com um número de 132 procedimentos para cada 1.000 habitantes, conforme dados de 2016 divulgados pela Agência Nacional de Saúde (ANS).

Com funciona o equipamento de ressonância magnética

As imagens de alta definição capturadas através da ressonância são obtidas por meio de campos magnéticos e pulsos de radiofrequência em três planos: vertical, horizontal e com o corpo dividido em camadas.

A máquina possui um grande ímã, o magneto, que gera um campo magnético intenso através de pares de bobinas de gradientes, bobinas de radiofrequência e condutores elétricos. Ao interagir com o corpo humano, esse campo magnético consegue obter registros precisos do funcionamento dos órgãos, formato dos ossos, cartilagens etc.

Porém é necessário todo um cuidado para a realização do procedimento, que se dá justamente pela presença do magneto, capaz de atrair qualquer objeto metálico para si, podendo causar graves acidentes.

Desse modo, não é possível que o paciente realize um exame de ressonância magnética portando acessórios como brincos, anéis, pulseiras, relógios, cintos com fivela metálica, e nem por aqueles que possuem marcapasso ou quaisquer outros componentes metálicos inseridos ao corpo.

Atualmente já é possível realizar uma ressonância magnética e obter seu lado à distância, através dos recursos que a Telemedicina oferece.

Tipos de ressonância magnética

Conforme o local a ser examinado, existem tipos diferentes de ressonância magnética. Os mais comuns são:

  • ressonância magnética funcional (RM funcional);
  • angiografia por ressonância magnética (ARM);
  • ressonância magnética cardíaca;
  • venografia por ressonância magnética (VRM);
  • exames de mama;

As principais partes do corpo que costumam ser mais solicitadas pelos médicos para diagnóstico através de ressonância são:

  • tórax, abdômen e pelve;
  • coluna;
  • crânio e cérebro;
  • medula espinhal;
  • articulações;
  • coração e sistema vascular;
  • mamas;
  • órgãos internos(baço, rins, fígado, pâncreas, útero, ovários e próstata).

O que pode ser diagnosticado através deste exame?

Ao fazer uma ressonância é possível detectar uma série de problemas e até a presença de doenças consideradas graves. Contudo, este exame costuma ser solicitado para confirmar suspeitas pré-determinadas em consulta ou avaliação médica feita a partir de outros procedimentos.

Ou seja, é o último recurso diante da necessidade de se definir um diagnóstico não encontrado anteriormente, ou que não seja possível obter por outros meios, uma vez que os detalhes presentes nas imagens permitem a identificação de problemas mais avançados, como por exemplo:

  • presença de tumores e câncer;
  • infartos;
  • inflamações ou infecções no cérebro, nervos e articulações;
  • aneurismas ou coágulos nos vasos sanguíneos;
  • fraturas ósseas;
  • lesões nos órgãos internos.

Cada especialidade médica utiliza a ressonância magnética como recurso de avaliação específico dentro da sua área. Por exemplo, os médicos ortopedistas costumam solicitar o exame para avaliar as condições de tecidos moles, como cartilagens e músculos, para detectar a presença de tendinites, lesões nos ligamentos, hérnias de disco e cistos.

Já os neurologistas utilizam esse recurso para analisar de maneira mais precisa problemas de esclerose múltipla, presença de Alzheimer, tumores cerebrais, atrofias e lesões nos vasos sanguíneos que possam indicar um AVC.

Segurança no procedimento: como evitar o quench

Mesmo sendo considerado um método seguro, principalmente pelo fato de não utilizar radiação ionizante como a tomografia computadorizada e outros procedimentos de medicina nuclear, ainda existem riscos inerentes ao campo magnético elevado que podem gerar indisponibilidade do equipamento, e por isso exigem cuidados em todo o ambiente onde se encontra o aparelho de ressonância, visando a segurança dos profissionais de saúde, dos pacientes e de seus acompanhantes.

O magneto que compõe o aparelho permanece ligado 24 horas, o que significa manter objetos ferromagnéticos totalmente afastados. Quaisquer tipos de ferramentas, tesouras, cilindros de oxigênio, e até mesmo macas e cadeiras de rodas podem ser atraídos em direção ao magneto.

Assim, um acidente causado pela atração de um objeto dessa magnitude pode ser fatal para quem estiver entre ele e o campo magnético. Além disso, a força do magneto pode alterar o funcionamento de equipamentos elétricos e acessórios médicos, como é o caso dos marcapassos.

Um ponto importante para a segurança durante um exame de ressonância magnética está na definição da função específica de todos os componentes do sistema que compõe o aparelho, que podem ocasionar acidentes caso não sejam operados de forma correta ou não funcione adequadamente.

Outro fator relacionado à indisponibilidade está na consequente interrupção dos serviços e não-realização dos exames, que além de gerar transtorno aos pacientes, acarretam em grandes perdas financeiras para a instituição.

Para isso, órgãos internacionais, como o Instituto de Segurança, Educação e Pesquisa em Ressonância Magnética (IMRSER) determinam algumas práticas de segurança que devem ser adotadas para evitar falhas no equipamento.

Função “quench”: quando acionar o procedimento se segurança?

Como o funcionamento da máquina se dá pela circulação de uma alta corrente elétrica em bobinas que geram o campo magnético, é necessário resfriar estas bobinas com gás hélio em temperatura mínima, que ocorre na forma líquida.

Quando o equipamento apresenta algum problema ou qualquer outra emergência que exija a interrupção do campo magnético, é necessário acionar o quenching, que é o procedimento de segurança que libera o gás hélio através de um duto especial, chamado de “Tubo Quench”(ou duto de exaustão de emergência). Quando o quenching é acionado, o campo magnético é forçado a parar.

No entanto, essa é uma ação que deve ser evitada, pois a interrupção pode causar danos às bobinas condutoras do magneto, além de acarretar custos financeiros elevados para o reabastecimento do hélio. No caso do quench manual, deve-se recorrer a ele apenas em situações extremamente críticas.

Qual a solução para diminuir o risco de quenching?

Em tempos de Saúde 4.0, onde a tecnologia é a maior aliada na automatização de processos resolução de problemas no setor de saúde, não é difícil encontrar soluções para as boas práticas em segurança.

Conforme dados da Organização Mundial da Saúde, cerca de 20% a 40% dos equipamentos inoperantes e indisponíveis no Brasil para realização de exames ocorre, entre outros motivos, por problemas relacionados à falta de mão de obra especializada e ausência de instalações adequadas que geram possíveis problemas de energia, refrigeração ou limpeza do aparelho.

Como todo o sistema é controlado através de alta corrente elétrica que necessita de refrigeração, controlar a qualidade da energia na sala de ressonância é essencial para evitar surpresas quanto a oscilação da corrente elétrica e até mesmo interrupções no fornecimento.

Portanto, a manutenção preditiva dos equipamentos hospitalares, especialmente em aparelhos de ressonância, assim como todo o processo de gerenciamento de riscos e segurança hospitalar são primordiais para evitar falhas e danos, que podem ser apenas materiais, mas também são críticos quanto ao risco de acidentes pessoais.

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Lucas Almeida

Cofundador e CRO da Nexxto

Trabalho todos os dias para ajudar o setor de saúde a ser mais digital e eficiente, possibilitando que mais pessoas no Brasil tenham acesso a serviços com qualidade e segurança.