14 janeiro 2020

O ERP – Enterprise Resource Planning, que em tradução livre se refere aos sistemas integrados de gestão empresarial – já é amplamente conhecido e utilizado como principal ferramenta na organização e gerenciamento nas empresas.

Formado a partir da integração de diversos módulos, esse tipo de sistema possibilita que os diversos setores de uma empresa se comuniquem de modo independente e constante, usando a mesma base de dados e compartilhando as informações com uma visão mais unificada.

Na área da saúde, o uso de ERPs permite que softwares de gestão hospitalar sejam integrados a vários outros sistemas, ajustando suas funcionalidades para demandas específicas.

Essa possibilidade facilita o atendimento e otimiza os processos internos, permitindo tomadas de decisão mais rápidas e melhor aproveitamento dos recursos da instituição – tanto os financeiros quanto os humanos.

Dessa forma, ao planejar as tarefas e organizar os recursos de maneira automatizada e unificada, empresas de saúde e assistência médica podem melhorar significativamente seus processos internos, desde a gestão de suprimentos até o atendimento ao paciente.

ERP na saúde: mais tecnologia para a gestão hospitalar

Em tempos de Gestão 4.0, onde a tecnologia passa a ser primordial para o enfrentamento dos crescentes desafios da liderança em saúde, o papel dos sistemas integrados é justamente este: permitir que os avanços tecnológicos e as constantes novidades do mercado de healthtechs sejam melhor aproveitados a partir da junção de recursos e compartilhamento de dados.

Ao personalizar o sistema de gestão hospitalar por meio da conexão com outros sistemas operacionais e soluções que atendem a necessidades mais específicas, as instituições de saúde se destacam pela inovação e ganham uma vantagem competitiva no mercado.

Partindo do ponto que os serviços de saúde e assistência médica não se resumem ao atendimento de pacientes e tratamento de doenças, mas abrangem, além disso, uma série de outras atividades administrativas, operacionais e de gerenciamento, fica fácil perceber que o ERP na saúde e a combinação de ferramentas que ele permite tendem a trazer muitos benefícios e vantagens para os profissionais que atuam nesses processos.

Como exemplo dos benefícios que a implantação de um sistema com integração de outros softwares pode trazer para clínicas, hospitais e outras empresas do ramo, temos o seguinte:

– facilidade no acesso às informações;
– melhor fluxo de comunicação;
– segurança de dados;
– maior produtividade;
– redução das chances de falha humana;
– mais agilidade no atendimento;
– índice de satisfação dos pacientes elevado;
– otimização do controle de recursos financeiros;
– custos operacionais reduzidos;
– maior integração entre setores.

Bancos de dados eficientes e seguros são importantes para qualquer empresa, de qualquer setor. No entanto, diferente das organizações tradicionais, no setor de saúde a ausência de dados ou erro nas informações pode ter consequências graves, já que estamos falando de vidas humanas envolvidas no processo, ainda que indiretamente.

Contudo, ao implementar um software integrativo para auxiliar a gestão dos serviços de saúde, muitos problemas podem ser evitados ou rapidamente corrigidos, evitando danos maiores.

Funções e recursos do sistema nos serviços de assistência médica

Como vimos, um ERP permite melhorar os processos de gestão das instituições de saúde através de softwares com tecnologia de ponta, capazes de integrar vários sistemas e personalizar as ações e rotinas nele integradas.

Suas funções e recursos disponíveis abrangem todos os setores e departamentos de hospitais, clínicas e laboratórios, facilitando a rotina dos profissionais e tornando o atendimento aos pacientes mais eficiente, o que melhora sua experiência dentro da instituição.

Através da implementação dessa tecnologia, algumas vantagens são obtidas rapidamente, justificando o investimento em inovação. Veja como o sistema contribui para a gestão em saúde:

– possibilidade de simplificar os processos de assistência médica;
– pacientes podem ter acesso remoto altamente seguro ao banco de dados, através do uso de dispositivos móveis alternativos;
– utilização de recursos para pesquisa mais eficazes;
– é possível contar com backup centralizado;
– melhora no atendimento ao paciente e mais competitividade na concorrência com outras instituições de saúde;
– com a redução dos custos operacionais é possível aumentar a lucratividade do negócio.

Exemplos de ERPs para instituições de saúde

Apesar de ser um tipo de sistema considerado “novo”, o ERP já existe há cerca de 20 anos, mas obviamente, os avanços da tecnologia em healthtech, como Inteligência Artificial, IoT entre tantos outros recursos disponíveis, refletiram em inovação na criação de softwares de gestão voltados especificamente ao setor de saúde.

Alguns exemplos de sistemas mais utilizados em hospitais são o Tasy e o MV, seguidos de outros como SP Data, que é totalmente voltado à instituições de saúde, além de Benner e Pixeon. Porém, é possível encontrar uma grande variedade de empresas desenvolvedoras de sistemas de gestão no mercado.

Considerados ERPs Padrão, esses softwares não possuem alteração ou customização, mas podem ser facilmente configurados e customizados conforme as necessidades de cada instituição.

Além disso, a integração com outros produtos e soluções contribui para que, através do compartilhamento do banco de dados, haja mais visão mais atualizada das informações, melhorando a gestão através de processos complementares e necessários à instituição.

Um ótimo exemplo é a possibilidade de integrar um sistema de monitoramento de temperatura. Esta é uma solução que contribui para a conservação e rastreamento de medicamentos e outros de ativos hospitalares condicionados à cadeia do frio.

Ao conectar o sistema de gestão a uma tecnologia capaz de controlar a temperatura de diversos pontos refrigerados, é possível, por exemplo, tornar mais eficaz o gerenciamento de riscos e segurança hospitalar, que é uma atribuição do Núcleo de Segurança do Paciente, de acordo com as boas práticas determinadas pela RDC nº36 da Anvisa.

Como o ERP contribui para o futuro da assistência médica?

Assim como em outros setores empresariais e de negócios, o setor de saúde enfrenta desafios diários para se manter atualizado diante de tantos recursos e novas tecnologias. Manter um padrão inovador nos dias atuais é quase como tentar alcançar o pote de ouro além do arco íris: nunca se pode, de fato, chegar até ele.

Mas, enfim, o que importa é a caminhada e o esforço constante de chegar o mais perto possível de ter nas mãos as soluções mais modernas e úteis para o desempenho do trabalho. Em saúde, essa busca incessante resulta num contexto de qualidade de serviços que reflete diretamente na qualidade de vida de pessoas.

Portanto, sistemas de gestão integrativos são – e serão ainda mais – capazes de mudar totalmente o modus operandi do setor de saúde através da configuração e customização de softwares e soluções específicas para cada setor, aliada ao que o ERP faz melhor: controle financeiro e contábil e centralização de cadastros.

Com essa base de recursos, esse sistema se torna a “nave-mãe” onde outros veículos, com suas funções específicas, encontram aporte seguro e eficiente.

Assim, uma das grandes mudanças em relação ao uso do ERP é o armazenamento de dados na nuvem. Ainda hoje a grande maioria das instituições utiliza servidores próprios conectados a um Data Center externo.

Porém, para integrar sistemas e promover um compartilhamento de informações ainda maior, armazenar os dados na nuvem torna todos os processos mais rápidos, além de reduzir custos e ganhar espaço físico. Ao implementar a segurança do blockchain, por exemplo, não há porque temer invasões ao sistema e perda de dados.

Além disso, com um sistema baseado em cloud computing, utilizar os recursos de IA, IoT e Business Intelligence amplia ainda mais as possibilidades. Tudo isso modifica a maneira como o setor de saúde opera, trazendo mais confiabilidade, assertividade e melhor desempenho de todos os papéis exercidos na instituição.

Todavia, é importante lembrar que o sucesso na implementação do ERP no setor de saúde requer uma preparação cuidadosa e com total atenção à operacionalização do sistema.

Para isso, além de ser fundamental a escolha de um software de qualidade e que possua os recursos mais adequados a cada tipo de negócio, é preciso o empenho dos gestores em incentivar os colaboradores e proporcionar um treinamento adequado, demonstrando que todo o esforço na mudança será recompensado com um trabalho mais fluido e de qualidade.

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Lucas Almeida

Cofundador e CRO da Nexxto

Trabalho todos os dias para ajudar o setor de saúde a ser mais digital e eficiente, possibilitando que mais pessoas no Brasil tenham acesso a serviços com qualidade e segurança.