Publicado em 10 setembro 2020 | Atualizado em 31 agosto 2020

A conectividade e troca de informações se faz cada vez mais necessária em diversos setores. Na saúde, a implementação do EHR (sigla em inglês para Electronic Health Record) pode significar um avanço no uso de tecnologias para a interoperabilidade de dados.

Sobretudo por conta da complexidade dos dados gerados nessa área, o registro eletrônico em saúde traz uma série de vantagens. Mas também requer atenção quanto à segurança e integridade das informações.

Portanto, é fundamental que as instituições estejam atentas e consoantes à inovação tecnológica, a fim de entender e tirar proveito dos recursos disponíveis. Afinal, a adoção do EHR, apesar de ser um caminho sem volta, requer uma série de cuidados para que não se torne uma “pedra no sapato” dos profissionais que precisam se adequar ao sistema.

Por outro lado, são nítidas as vantagens desse sistema, inclusive no que se refere ao atendimento dos pacientes. Um exemplo disso são os números de uma pesquisa da Kaiser Family Foundation (KFF), realizada em 2019.

O estudo da organização americana sem fins lucrativos mostrou que para 45% dos americanos, o registro eletrônico em saúde melhorou a qualidade do atendimento. Entre os entrevistados, apenas 6% apontaram um declínio na adoção do sistema.

Contudo, muitos profissionais de saúde – especialmente os que atuam na atenção primária – ainda demonstram descontentamento com os sistemas. Segundo pesquisa feita em 2018 pela Stanford Medicine, 59% dos médicos relataram a necessidade de revisão dos sistemas de EHR.

Isso mostra que, junto à tecnologia, surge a necessidade de aperfeiçoamento e adaptação desses sistemas. Além do investimento em treinamentos e na mudança de cultura dentro das organizações.

Como funciona o EHR: benefícios e desafios na implementação

O EHR é o registro de dados do paciente feito eletronicamente e em tempo real. Através desse sistema, as informações são disponibilizadas de maneira instantânea e segura, permitindo o acesso de usuários autorizados.

Contudo, o registro eletrônico em saúde vai além dos dados clínicos obtidos no consultório. Ele engloba o histórico médico dos pacientes, proporcionando uma avaliação mais ampla para o tratamento. Assim, os EHRs atuam da seguinte forma:

  • guardando o histórico completo de saúde do paciente: diagnósticos, medicamentos, tratamentos, quadro de imunização, alergias, imagens de radiologia e exames laboratoriais;
  • disponibilizando o acesso aos dados para melhor tomada de decisão sobre o atendimento do paciente;
  • automatizando os processos e otimizando o fluxo de trabalho dos profissionais.

Quais as diferenças entre EHR e EMR?

Apesar de possuírem bastante semelhança e que, aliás, ainda confundem muitos médicos, o EMR e o EHR têm finalidades distintas. No caso do EMR , estamos falando do registro médico eletrônico, uma versão digital do prontuário.

Essa ferramenta, também chamada de prontuário eletrônico, armazena as informações num sistema computadorizado local, onde apenas o médico e outras pessoas autorizadas têm acesso.

Apesar de reunir um volume de dados significativo, a diferença básica entre o EMR e o EHR se apresenta em duas vias:

  • quantidade de informação sobre a saúde do paciente;
  • compartilhamento e controle dos dados.

Enquanto o EMR armazena dados específicos de atendimento dentro de determinada instituição, formando um histórico clínico parcial, o EHR pode aglomerar informações completas, associando dados de atendimento em diferentes locais e possibilitando o acesso externo à informação.

Principais vantagens da adoção do registro eletrônico em saúde

Aderir ao registro eletrônico em saúde traz para a instituição uma série de melhorias operacionais, mas também relacionadas à qualidade e segurança do atendimento ao paciente.

Confira as principais vantagens do EHR:

    • fornecimento de informações completas e atualizadas sobre o paciente no momento e local de atendimento;
    • permissão de acesso rápido aos registros, gerando um atendimento eficiente e coordenado;
    • compartilhamento de dados com a equipe interna, profissionais externos, familiares e com o próprio paciente;
    • auxílio nos diagnósticos com maior eficácia, reduzindo erros médicos e oferecendo um cuidado mais seguro;
    • melhoria na comunicação e no relacionamento entre paciente e médico;
    • prescrição mais segura e confiável;
    • aumento da privacidade dos dados do paciente, devido aos sistemas de segurança como blockchain;
    • maior legibilidade de documentação;
    • aprimoramento do faturamento e dos agendamentos;
    • melhoria na produtividade dos profissionais;
    • redução de custos com diminuição do uso de materiais.

Assim, o registro eletrônico em saúde auxilia no gerenciamento dos dados, especialmente quando se trata de recursos de Big Data. Isso torna essas ferramentas indispensáveis quando o assunto é redução de custos e aumento da produtividade. Sem contar que facilitam a tomada de decisão e possibilitam maior objetividade nas abordagens clínicas.

Importância da certificação dos Sistemas de Registro Eletrônico em Saúde

Assim como em outras atividades dentro do setor de saúde, os sistemas eletrônicos utilizados costumam requerer certificações que assegurem sua funcionalidade e atestem a segurança dos dados de acordo com a legislação vigente.

No Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM) em conjunto com a Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS) desenvolveram o Manual de Certificação para Sistemas de Registro Eletrônico em Saúde, que se aplica tanto aos EMR quanto ao EHR.

Primeiramente, esse documento serve de apoio para a implementação dos sistemas de EHR, orientando as instituições quanto aos padrões e normas internacionais de referência. Ao passo que as normas são constantemente atualizadas, novas versões do manual da SBIS-CFM também são publicadas.

Apesar de não ser obrigatória, a certificação do EHR confere à instituição o status de confiabilidade e segurança do sistema. Ao mesmo tempo em que demonstra eficiência na gestão através do investimento em tecnologias que estejam em conformidade com os parâmetros exigidos pelos órgãos reguladores.

Como a tecnologia dos EHRs influencia na satisfação do paciente?

Numa sociedade totalmente transformada pelos meios digitais, o amplo acesso à informação através de dispositivos eletrônicos faz com que pacientes também anseiem por ferramentas que lhes forneçam acesso aos próprios registros médicos e maior controle de seus dados de saúde.

Dessa forma, o EHR possibilita a obtenção dessas informações, o que torna a experiência do paciente mais satisfatória. Afinal, o acesso aos registros em tempo real num período 24/07 permite que o paciente dê mais atenção aos aspectos que precisam ser melhorados. Principalmente em casos onde o tratamento domiciliar possa ser realizado.

Portanto, o futuro do setor de saúde, entre tantos vieses, está centralizado no paciente e na sua própria conduta em relação aos cuidados com a saúde. Ao passo que o registro eletrônico em saúde possibilitará uma co-participação do paciente no tratamento.

Prova disso são os investimentos cada vez maiores por parte da indústria tecnológica, em que gigantes como Apple e Amazon já estão adentrando o mercado de EHR.

Agora que você já conhece os benefícios do EHR, veja como o armazenamento em nuvem auxilia estrategicamente o setor de saúde.

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Lucas Almeida

Cofundador e CRO da Nexxto

Trabalho todos os dias para ajudar o setor de saúde a ser mais digital e eficiente, possibilitando que mais pessoas no Brasil tenham acesso a serviços com qualidade e segurança.