Publicado em 20 fevereiro 2020 | Atualizado em 4 março 2020

Já não é novidade que a internet das coisas vem ganhando mais espaço e tornando mais fácil o dia a dia de pessoas e instituições. Muitas vezes, mesmo que não se perceba, lá está algum produto ou serviço baseado em IoT que naturalmente incorporamos à nossa rotina.

Dentro desse cenário, a inovação tecnológica se expande e, a todo momento, lança novas tendências e cria necessidades nas mais diversas áreas.

No setor de saúde as mudanças já são bastante perceptíveis e fazem com que alguns processos muito comuns dentro das instituições se tornem cada vez mais obsoletos, exigindo uma mudança rápida e reforçando o dever que as instituições têm de investir e inovar na área da saúde.

Contudo, apesar da necessidade clara – e porque não dizer obrigatoriedade – de investimentos em tecnologia, convencer diretoria e acionistas de que soluções de IoT são um grande benefício e dão retorno certo à instituição ainda é uma tarefa árdua para gestores de saúde.

E para facilitar essa justificativa é preciso ter mais do que bons argumentos. Portanto, um projeto detalhado e bem embasado com exemplos práticos tende a contribuir muito na hora de convencer os investidores e patrocinadores internos.

Exemplos de IoT na saúde

Atualmente, não é difícil encontrar exemplos de tecnologia em internet das coisas aplicáveis ao setor de saúde que possam exemplificar e justificar o investimento nesse tipo de solução. Entre as que ganham mais destaque temos:

  • Rastreabilidade: sistemas que utilizam a IoT através de codificação para rastreabilidade de medicamentos, equipamentos hospitalares e pacientes já são realidade dentro das instituições de saúde e, inclusive, atendem às normas da Anvisa, como é o caso da RDC nº20;
  • Monitoramento de ativos: equipamentos de monitoramento pró-ativo da qualidade de medicamentos e produtos otimizam a dinâmica da logística e evitam perdas e danos de diversos tipos de ativos, principalmente os termolábeis, que dependem de um rigoroso controle da cadeia do frio;
  • Gestão de infraestrutura: por meio de dispositivos conectados à internet é possível monitorar a rede de energia elétrica, de gás, água, e o sistema de ar condicionado e, claro as próprias redes de conectividade, facilitando a gestão de infraestrutura das instituições de saúde e evitando ou contornando a interrupção de serviços essenciais;
  • Wearables: os dispositivos vestíveis, chamados de wearables, são a grande sensação entre usuários adeptos ao esporte e também têm se tornado cada vez mais presentes no cotidiano de médicos e pacientes. Um exemplo bastante simples de wearable são os smartwatches e as smartbands, aqueles relógios inteligentes que monitoram a frequência cardíaca e outras funções vitais, possuem GPS e uma série de conectividades. Esse tipo de dispositivo vestível e conectado à internet já é um grande aliado da medicina, inclusive possibilitando o monitoramento à distância de quem possui diabetes e auxiliando os fumantes a largar o vício.

Porque investir em novas tecnologias na saúde?

Pode parecer que essa é uma questão simples de ser respondida, no entanto, muitos gestores encontram dificuldade em priorizar projetos e investimentos em novas tecnologias para sua instituição de saúde.

Convencer acionistas e diretores sobre a necessidade de se utilizar capital para este fim é um trabalho complexo, diante da crescente inflação que atinge os insumos do setor e que faz crescer a disputa por recursos e verbas entre profissionais de diversas áreas da empresa.

No entanto, a partir desses poucos exemplos de como a internet das coisas já atua no setor de saúde e beneficia a área médica, não é difícil entender a importância dos investimentos nessa tecnologia.

Além de tornar o trabalho dos profissionais mais eficiente e melhorar a experiência do paciente, a presença da IoT coloca toda a equipe à frente de um modelo de inovação, tornando a instituição mais competitiva.

Sem contar ainda com a questão regulatória, onde todos os manuais de boas práticas e resoluções publicadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vêm trazendo recomendações e especificações para implementação de sistemas e soluções tecnológicas que possam otimizar uma série de processos dentro de clínicas, laboratórios e hospitais.

Ou seja, investir em IoT na saúde ainda pode ser considerado uma escolha, mas em pouco tempo será requisito obrigatório para o funcionamento e a manutenção de longo prazo das instituições, o que mais uma vez justifica a urgência de se colocar projetos desta natureza como parte da agenda dos executivos de saúde.

Investimento em IoT: passo a passo para uma justificativa bem embasada

Diante da necessidade de apresentar uma justificativa sobre novos investimentos em tecnologias de IoT, é fundamental estabelecer alguns critérios que embasam o projeto qualitativamente. Para isso é importante responder algumas questões como:

1) Qual o meu problema?

Aqui, é preciso identificar para qual problema se está buscando uma solução. Nesse sentido, podem surgir uma série de respostas, diante das muitas necessidades que uma instituição de saúde possui, mas o foco deve estar na questão específica onde a IoT se apresenta como a melhor alternativa de solução.

Por exemplo, o problema pode estar relacionado ao monitoramento das geladeiras hospitalares, que é feito manualmente e apresenta falhas. A partir disso, o gestor responsável precisa ter clareza sobre a questão que está sendo levantada, detalhando as perdas e custos que esse problema acarreta para a instituição com base em alguns questionamentos como:

  • Há perda de receita?
  • O problema interfere na reputação da empresa?
  • Existe um aumento de custo relacionado ao problema?
  • Quais os riscos apresentados?

2) Quais são as alternativas de solução existentes?

O segundo passo é mapear as soluções existentes para o problema e as empresas e parceiros que podem auxiliar no encontro de projetos viáveis com maior velocidade e eficiência. Também é válido
buscar cases de sucesso com empresas ou instituições de saúde com o mesmo perfil, que identifiquem e validem as soluções existentes no mercado.

No exemplo citado acima, a solução seria um tecnologia de monitoramento online de temperatura que permitisse a conectividade com os setores envolvidos através de um sistema inteligente, otimizando os processos e garantindo maior segurança a partir do monitoramento contínuo das drogas e materiais críticos e das ações corretivas em caso de situações de risco.

3) Estudo de ROI: qual o retorno do investimento?

Talvez esse seja um dos critérios mais importantes numa justificativa de implementação de soluções de IoT, pois para os administradores e diretores tudo se resume ao custo do investimento e ao
retorno que ele trará para a instituição.

Portanto, é imprescindível que o líder responsável pelo projeto detalhe minuciosamente os seguintes pontos:

  • Qual o custo atual do processo e quanto ele passará a custar após a implementação da IoT?
  • Há custos extras de manutenção do novo processo ou tecnologia?
  • Em quanto tempo o investimento irá se pagar?
  • Que tipo de processos serão otimizados?
  • Quais os riscos serão evitados?
  • Haverá aumento da receita? Se sim, quanto e de que forma?
  • Os custos serão reduzidos? Quanto e de que maneira?
  • A experiência dos pacientes será melhorada?
  • Haverá mais segurança nos processos?
  • O investimento ajudará na obtenção de certificações e acreditações de qualidade para a instituição?

Com base na análise desses critérios o retorno sobre o investimento ficará bastante claro e será o principal ponto de justificativa para se obter uma solução que integre a internet das coisas às demandas da instituição.

4) Responder claramente à pergunta: Por que agora?

Além de justificar o investimento em novas tecnologias para instituições de saúde com base em problemas, custos e retorno do investimento, também é necessário apresentar motivos plausíveis para se determinar que a aquisição de uma solução de IoT seja feita nesse momento.

Para isso, portanto, as prioridades devem ser estabelecidas e o gestor, além de saber listar o conjunto de projetos que estão em pauta, deve pontuar claramente os critérios que farão seu projeto ser valorizado e priorizado pela instituição.

Nesse sentido, uma dica é associar um objetivo estratégico da instituição ao projeto, como por exemplo a obtenção de uma acreditação, melhoria de algum indicador de segurança, melhoria da experiência do paciente, automação de operações etc.

Quando todos esses itens estiverem respondidos de forma clara, objetiva e contundente, as chances de aprovação do projeto serão enormes, pois não haverá contrapontos a serem feitos.

Importância das parcerias na justificativa de projetos

Dentro de um cenário onde é preciso agir com certo poder de convencimento e persuasão – além, é claro, do embasamento através de dados concretos – as empresas parceiras responsáveis pela implementação de uma nova tecnologia devem possuir capacidade de auxiliar os gestores e líderes em saúde a realizar o levantamento completo os dados citados e também na criação do modelo financeiro para os negócios.

Nesse aspecto, a Nexxto é especialista em soluções de monitoramento das variáveis críticas – temperatura, umidade e energia – de equipamentos, ambientes e insumos, com expertise para ajudar a desenvolver um projeto customizado e todo o estudo que contenha a justificativa de investimento em projetos de IoT adequados para implantação em sua instituição de saúde.

monitoramento de temperatura

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Lucas Almeida

Cofundador e CRO da Nexxto

Trabalho todos os dias para ajudar o setor de saúde a ser mais digital e eficiente, possibilitando que mais pessoas no Brasil tenham acesso a serviços com qualidade e segurança.