17 março 2020

Promover uma gestão de pessoas eficaz, independente de qual o ramo do seu negócio, é um dos maiores desafios enfrentados por qualquer empresa. No caso da gestão de pessoas na saúde, então, é como se a “régua” aumentasse e, com ela, as medidas a serem tomadas para garantir o bem estar de todos os stakeholders envolvidos.

Afinal de contas, temos dois “protagonistas” a serem olhados atentamente: se de um lado os pacientes (ou clientes) se tornam cada vez mais exigentes com a qualidade do serviço prestado, por outro lado, os próprios profissionais de saúde estão mais conscientes de métricas e/ou boas práticas que as instituições de saúde devem adotar para promover uma gestão eficaz e voltada para valorização e bem estar de seus colaboradores.

Qual o primeiro passo?

Infelizmente, este é o cenário mais comum na maioria das empresas: as lideranças até reconhecem a importância de se implantar medidas que visem potencializar as habilidades e capacitar melhor os profissionais de suas equipes, mas não sabem muito bem por onde começar esse trabalho.

Não por acaso que uma pesquisa da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), publicada na Revista Pequenas Empresas e Grandes Negócios, mostra que somente 24% dos quase 2 mil participantes afirmaram que, onde trabalham, há investimento para desenvolvimento pessoal da forma esperada, enquanto que 34% disseram este não é o foco de atenção de suas empresas.

No entanto, este primeiro passo precisa ser dado. Para isso, é preciso que as instituições entendam, principalmente, em definir quais serão as competências chave que estes profissionais precisam ter para que o negócio – seja ela um hospital, uma clínica ou mesmo um pequeno hemocentro – alcance os resultados esperados.

Digamos que se trata de um exercício “de trás para frente”, isto é, olhando do macro para o microcontexto:

  • Macro: identificar quais objetivos e resultados que a empresa quer atingir
  • Micro: quais as competências que os colaboradores precisam ter para que esses resultados sejam atingidos.

A partir daí, é hora de colocar a mão na massa. Para isso, é importante que as lideranças na área de saúde elaborem um planejamento com objetivos de curto, médio e longo prazos com treinamentos e/ou análises periódicas de desempenho das equipes.

O impacto da gestão de pessoas nas instituições de saúde

Existem diversos impactos ao lançar mão de ferramentas com foco em gestão de pessoas. Mas, sem dúvidas, o primeiro impacto está na própria cultura que a empresa constrói.

Isto ocorre porque, ao oferecer aos seus colabores ferramentas para que eles estejam em constante desenvolvimento, a instituição demonstra que se preocupa com o seus colaboradores e que se propõe a oferecer ferramentas para que eles melhorem sua performance.

Essa satisfação, indiretamente, também impacta na qualidade do atendimento ao paciente, uma vez que os profissionais passam a se empenhar mais no trabalho.

Além disso, outros benefícios atrelados à eficaz gestão de pessoas são:

Maior especialização das equipes

À medida que os colaboradores passam a ser treinados, a tendência natural é de que eles deixem de ter uma função generalista, por exemplo, e consigam se especializar em uma determinada área. Isso, consequentemente, lhes permite prestar serviços para casos de maior complexidade, agregando mais valor ao hospital ou outra instituição de saúde do qual faça parte.

Hoje, por exemplo, de acordo com um levantamento do próprio Conselho Federal de Medicina (CFM), 6 em cada 10 médicos brasileiros possuem um ou mais títulos de especialidade, representando cerca de 62,5% dos profissionais cadastrados no conselho.

Otimização de processos

Se os profissionais passam, periodicamente, por avaliação de resultados individuais e coletivos, naturalmente que sejam identificados gargalos que, muitas vezes, impedem que os processos de trabalho sejam mais eficazes.

Vamos ilustrar com um exemplo: durante uma avaliação recorrente da equipe responsável por mapear eventos adversos em um hospital, percebe-se que um das principais “falhas” está na dificuldade destes profissionais em utilizar o sistema de monitoramento dos medicamentos.

Entendido isso, a empresa então investe em um treinamento de farmacovigilância para que todos da equipe aprendam a trabalhar com o sistema e, com isso, antecipem e até possam evitar os eventos adversos.

Redução de custos

Uma vez que os profissionais estejam em constante aperfeiçoamento, um dos resultados esperados – além da otimização de processos, como já dissemos – é o da redução de custos.

Para algumas pessoas, essa matemática não é tão clara. Mas vamos lá: se você investe em qualificação, diminui a ocorrência de turnovers (isto é, demissões) na empresa e, por sua vez, incentiva o engajamento das equipes. Motivadas, elas passam a trabalhar melhor, o que contribui para maior entrega de resultados em um menor espaço de tempo.

Entregando mais resultados, evita-se retrabalhos e refações que, dependendo do contexto, poderiam representar mais custos para manter os estoques de medicamentos e demais ferramentas de trabalho.

Aplica-se então a lógica do ROI, ou retorno sobre investimento. Isso significa que, ao direcionar recursos para melhoria de processos e das pessoas envolvidas neles, lá na frente os custos para manutenção e/ou prevenção de erros caem consideravelmente.

Dicas para engajar as equipes e fazer uma boa gestão de pessoas

Manter as equipes motivadas é fundamental para que as empresas alcancem os resultados que trouxemos até então. Mas, de novo, por onde começar?

Essa pergunta não tem uma resposta tão simples, pois cada caso é um caso, mas existem alguns caminhos que você, gestor, pode considerar para cumprir essa missão:

1. Transparência

Sem dúvidas, não podemos pensar em uma gestão de pessoas na saúde sem considerar transparência, seja ela em processos, ou na comunicação com os colaboradores.

Para entendermos a importância disso, basta nos colocarmos no lugar da equipe: eu, enquanto gestor, gostaria de que decisões que afetam meu trabalho fossem tomadas sem que eu ao menos tomasse conhecimento delas? Se a sua resposta for não, então evite que isso aconteça com seus liderados.

Quando o colaborador sente que ele trabalha em um lugar em que se abre espaço para que ele apresente sugestões de melhoria e exponha suas dúvidas, naturalmente suas competências individuais podem enriquecer as habilidades do coletivo.

2. Cultura organizacional

Outro aspecto importantíssimo está na cultura que a empresa prega. Isto é, quais são os valores, crenças, hábitos e atitudes que a corporação defende como essenciais para que o negócio se mantenha.

Por que isso importa? Porque para que os seus colaboradores se engajem, eles precisam se sentir pertencentes ao local onde eles estão todos os dias, cumprindo seu horário de trabalho.

Mais que isso: precisam enxergar que a eles trabalham em um lugar que se importa com colaboradores e não mede esforços para promover o bem estar de todos, não somente do cliente (stakeholder tão importante quanto, mas que muitas vezes é o único foco das instituições, inclusive as de saúde).

3. Confiança na equipe

Uma vez que você promove uma comunicação transparente e alinhada a propósitos muito semelhantes aos de sua equipe, é de se esperar que nasça uma relação de confiança. Lembre-se: confiança se conquista. Se você percebe que os colaboradores se empenham a entregar melhores resultados e, aos poucos, indicam que podem assumir maiores responsabilidades, delegue mais funções.

É a partir de atitudes como essa que os colaboradores se sentem mais confiantes de que seus gestores estão de olho no seu trabalho e que, portanto, acreditam em seu potencial. Naturalmente, isso vai contribuindo para que um bom desempenho individual espelhe os resultados macro da organização.

4. Avaliação e contínua melhoria

Como dissemos, gestão de pessoas – e mesmo gestão de pessoas na saúde – se faz com um trabalho permanente de avaliação e mensuração de resultados. Sem isso, não conseguimos entender onde estão os pontos de melhoria e, com isso, não capacitamos a equipe para enfrentá-los.

Como a tecnologia contribui para engajamento das equipes

Por tudo que dissemos até aqui, você viu que gerir pessoas é um desafio e tanto. Felizmente, os avanços tecnológicos têm nos auxiliado nessa tarefa e trazido mais qualidade ao trabalho de gestão de pessoas, inclusive na área da saúde.

A principal contribuição da tecnologia está nos sistemas automatizados, que nos permitem integrar o maior número de informações possíveis.

Ou seja, ao juntarmos mais informações, fazendo o cruzamento entre elas, conseguimos chegar a conclusões mais precisas na hora de mapear pontos fortes e de melhoria e, assim, ter mais clareza de quais atitudes devem ser tomadas como próximos passos.

Um exemplo disso está na implantação de um sistema ERP para empresas de saúde. Se em uma empresa com ERP é percebido que as áreas de suprimentos hospitalares e de assistência na emergência estão com delay de resposta que interfere na qualidade do atendimento ao paciente, isso permitirá aos gestores tomarem as medidas cabíveis para que os riscos sejam mitigados e, dessa forma, o paciente não seja prejudicado.

Ilustrando essa situação nos leva, inclusive, a outros dois benefícios atrelados à tecnologia na gestão de pessoas na saúde, que são:

  • Maior interação entre áreas: com sistemas integrando áreas e, dessa forma, demonstrando indicadores interligados, as equipes conseguem se comunicar melhor e unir forças para melhorar seu trabalho.
  • Melhor mensuração de resultados: se tenho mais clareza dos dados que coleto, é de esperar que a precisão dos resultados também seja maior. Logo, consigo tirar conclusões mais assertivas do que precisa ser feito.
  • Aumento na produtividade: uma vez que há um melhor mapeamento de melhorias, os colaboradores se tornam mais capacitados e isso, naturalmente, contribui para melhor produtividade dele na empresa.

Implantar medidas com foco na gestão de pessoas é um desafio constante dentro das organizações. Mostrar o valor disso nem sempre é fácil, principalmente para quem compõe o boarding de uma empresa.

No entanto, até por tudo exposto aqui, fica claro como adiar essa discussão pode ser nocivo não apenas para você, enquanto gestor, mas principalmente para instituição de saúde na qual trabalha. Por isso, deixamos nosso incentivo para que, cada vez mais, as instituições de saúde percebam a importância e os ganhos por trás dos esforços na capacitação de suas equipes.

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Lucas Almeida

Cofundador e CRO da Nexxto

Trabalho todos os dias para ajudar o setor de saúde a ser mais digital e eficiente, possibilitando que mais pessoas no Brasil tenham acesso a serviços com qualidade e segurança.